Frases & Fragmentos / Quotes & Fragments

A casa que eu quero ter

Van Gogh

“ A alma da gente, como sabes, é uma casa assim disposta, não raro com janelas para todos os lados, muita luz e ar puro. Também as há fechadas e escuras, sem janelas ou com poucas e gradeadas, a semelhança de conventos e prisões. Outrossim, capelas e bazares, simples alpendres ou paços suntuosos. Não sei o que era a minha. Eu não era casmurro, nem Dom Casmurro; o receio é que me tolhia a franqueza, mas como as portas não tinham chaves nem fechaduras, bastava empurrá-las, e Escobar empurrou-as e entrou.” ( Machado de Assis, em seu livro Dom Casmurro)

Fiquei a pensar sobre a minha casa, percebi que a construo com o estranho desejo de quem almeja uma obra inacabada. Na verdade, o que me importa é ter espaço para fazer meus puxadinhos e derrubar minhas paredes. De inabalável, só mesmo a biblioteca, um cômodo permanente em minha casa, com seus livros que entram sem cerimônia ou licença, e abalam todas as minhas estruturas.

The house I would like to build

Our soul, as you know, is a house often arranged with windows all around, lots of light and fresh air. There are also the closed and dark ones with no windows or with few barred windows similar to convents and prisons. Likewise there are chapels and bazaars, simple porches or sumptuous palaces. I didn’t know which kind of house was my soul. I was not stubborn or Sir. Stubborn, fear was what hampered my frankness, but as the doors had no locks or keys, it was just a matter of pushing it, and Escobar pushed it and got inside. ( Machado de Assis, in his book Dom Casmurro).

I was wondering about my own house and I noticed that I am building it with a strong desire of an unfinished masterpiece. Actually, what I wish is to have enough space to build new landscapes and drop my own walls. I guess the only unshaken room in my house would be the library, a permanent place with its books that come in and out without ceremony and excuses, shaking all my structures.

 

2 thoughts on “A casa que eu quero ter

  1. Porque as grandes obras são mesmo formas inacabadas. Inacabadas, por mais que a gente se acabe nelas.
    🙂

    Eu diria bonito por demais, mas vou ficar com um xuxuzão para o seu blog e esse texto.
    Gostei e ter vindo.
    beijo

    • Olá, Lucas!

      Obrigada por ter visitado o blog, espero que faça outras visitas. Que essa visita não acabe aqui…hehe.
      O que seria o xuxuzão?
      Abraço grande,
      Ana Luiza.

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