Música/ Music

A Banda Mais Bonita da Cidade e a Encenação do Amor

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Não,eu não vim aqui para falar da viralização do clipe “Oração”, do grupo A Banda Mais Bonita da Cidade. Não vim falar de como a internet pode ou não ser democrática. Não vim falar da letra sensível e divertida, dos cantores/atores talentosos, do impecável plano sequência, do tempo de ensaio que o clipe exigiu e de toda sua originalidade. Talvez, seja um pouco tarde para falar sobre tudo isso em meio a tantas novidades efêmeras que se atropelam pela internet. Eu vim mesmo é falar do amor.

O clipe “Oração”, do grupo curitibano, antes de mais nada,  me parece uma encenação do amor.

Por uma fração de segundos o amor surge silenciosamente no escuro, escrito em títulos que tentam resumir sua história.  Gradualmente, em fade-in, o amor vai ganhando luz e forma, e começa a cantar baixinho, como quem tem medo de ser descoberto, como quem precisa confessar, mas não tem coragem.

Inesperadamente, o amor cresce e agora não cabe mais no segredo, ele invade a casa toda. Ele passa por todos os cômodos, abre todas as portas (ou elas já estavam abertas?), escapole pelas janelas, pelas frestas, invade a dispensa, bate na porta do vizinho. A casa alheia, agora se parece com a minha, e eu vou me perguntando se não é a minha casa que o amor invade.

Eu que antes ouvia o  amor monossilábico, vejo-o ganhar sílabas, formar palavras, declarações, rimas, poesias e refrão. O amor se repete, não se cansa, pede bis.

O amor antes protagonista, o rei da casa, encontra outros personagens e começa a escrever sua história de encontros, desencontros, despedidas e reencontros. Ele conhece o estranho e o transforma em “de casa”. Conhece o “de casa” e o transforma em estranho.

Logo, o amor que se julgava discreto revela suas fantasias, abrindo alas e se espalhando em ritmos estridentes e insistentes até cair na boca do povo. De repente, o amor me convida, me contagia, se espalha pela minha vida, que já não sei se é minha ou do personagem.

O amor é capturado sem cortes e eu concluo: o amor é mesmo um plano sequência. No tempo do amor, não há tempo pra montagem. Sua encenação é demasiadamente real.

The Most Beautiful Band in the City and the Love Performance

No, I am not going to write how “Oração”, the music clip from A Banda Mais Bonita da Cidade (The Most Beautiful Band in the City) has became a viral video. I am not interested in writing about to what extend Internet can be democratic. Neither I want to mention how sensitive and fun the lyrics are, or how the singers/actors are talented, how the long take is impeccable and requires a great time of rehearsal. Perhaps, it is a bit too late to talk about all that, considering the ephemerality of Internet news. Anyways, I am here to talk about love. The video “Oração” (Prayer), by a band from Curitiba (Brazil), appears to me as the performance of love.

During few seconds, love appears silently, in the dark, written in titles that try to summarize its history. Gradually in a fade-in, love regains light and form, and begins to sing softly, as if it’s afraid to be found. It seems that it needs to confess, but still has no courage to do so.

Unexpectedly, love grows, it doesn´t fit in the secret anymore. It invades the house, enters all the rooms, opens all the doors (or were they already opened?), slips through the windows, through the cracks, breaks into the pantry, and knocks on the neighbor’s door. I keep wondering if this house is someone else’s, or has already become my own. Is it the house that love invades mine?

I used to hear a monosyllabic love, but now it has gained syllables, formed words, statements, rhymes, poetry and chorus. Love repeats itself. It doesn’t get tired, instead, it asks for encore.

Love, the one that believed to be the protagonist, the king of the house, meets other characters, writes its own story of encounters, misunderstandings, farewell and reencounters. It meets the alien and turns into something familiar. It meets the familiar and soon it becomes an alien.

Love, in the end, love, believed to be discreet, reveals its fantasies, in strident and insistent rhythms. Soon, it is on everyone’s mouths. Soon, love invites me, contages me and spreads itself into my life. Actually, I don´t know if it is my own life or the character’s life.

Love is captured without cuts and so I conclude: love is a long take. When it comes to love, there is no time for editing. The love performance is too real for that.




2 thoughts on “A Banda Mais Bonita da Cidade e a Encenação do Amor

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