Livros/ Books

Buenos Aires, a Capital Mundial do Livro em 2011

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“Viva nos livros um momento, aprenda neles o que lhe parece digno de ser aprendido, mas, antes de tudo, ame-os. Este amor ser-lhe-á retribuído milhares de vezes e, como quer que se torne a sua vida, ele passará a fazer parte, estou certo, do tecido de seu ser, como uma das fibras mais importantes, no meio das suas experiências, desilusões e alegrias.”

O trecho acima foi retirado de uma das celebres cartas do poeta e escritor checo Rainer Maria Rilke a Franz Xaver Kappus, um jovem indeciso entre seguir a carreira militar ou literária. As cartas escritas entre os anos de 1903 a 1908,  para sorte e deleite da humanidade, se transformaram em um belo livro “Cartas a um jovem poeta”, publicado em 1929.

O livro traz conselhos e reflexões sobre obras de arte, literatura, escrita, poesia e amor. Ao ler Cartas a um jovem poeta descobri o amor recíproco,  talvez o mais recíproco entre todos, o amor entre o leitor e o livro.

A reciprocidade desse amor está na ausência de pertencimento dos amantes. Durante a leitura, há sempre um momento em que história se vê  sem dono, as vezes pensa ser do livro, quando na verdade é do leitor. Ou pensa ser do leitor, mas na verdade pertence ao livro. Nessa ‘con(fusão)’ ninguém mais sabe quem é protagonista, narrador e leitor.

Buenos Aires, Rilke descreve o amor como a “saudação de duas solidões”. Novamente, penso no amor entre o leitor e o livro, não é ele o encontro perfeito e apaixonado de duas solidões? De duas histórias que não podem sobreviver uma sem a outra.

Buenos Aires, uma cidade que ama os livros, ganhou em 2011 o título de Capital Mundial do Livro pela UNESCO. Segundo La Nación, o título é um reconhecimento simbólico que mobiliza uma grande quantidade de leitores, escritores, tradutores e empresas com um objetivo em comum: a celebração da palavra.

São constantes e crescentes as atividades que celebram o livro na capital argentina, entre elas: a Feira Del Libro, presença de bibliotecas populares, editoras grandes e pequenas que sustentam uma produção constante, as livrarias de bairros, o Festival Literário de Buenos Aires, a promoção da poesia com atividades diversas como No hay ciudad sin poesia e La semana de la poesia – esses dois eventos contam com centenas de pessoas que recitam poesias, a Noite das Livrarias e a Semana da Leitura nas escolas.

La Nácion defende que “em uma época que se caracteriza pelos avanços  tecnológicos,  entretenimento digital e comunicação via internet, entretanto podemos valorizar o poder dos livros. Esta excelente notícia nos permite desligar a televisão, desconectar o facebook e fazer silêncio.”

E por falar em silêncio, deixo vocês com a campanha de divulgação de Buenos Aires como a Capital Mundial do Livro em 2011. Uma campanha super criativa que celebra os livros, a capital argentina, a solidão e um amor recíproco: o amor entre o leitor e o livro.

Buenos Aires, the 2011 World Book Capital 

Live inside the books for a moment, learn through them what it seems worth to learn but, above all, love them. This love will reward you a thousand times and no matter what happens to your life, this love will be part of it, I am sure. This love will be part of your texture, as one of its most important fibers, within your experiences, disillusions and joys.

The fragment was taken from one of Rainer Rilke Maria’s famous letters to Franz Xaver Kappus. Rilke, the Czech writer and poet, exchanged letters with the young Franz during the time period from 1903 to 1908. In these letters Franz asked for Rilke’s advice in order to choose between a military career or a literary one. The letters, for the fortune and delight of mankind, became a beautiful book: Letters to a Young Poet, published in 1929.

The book provides advices and reflections on art, literature, writing, poetry and love. While reading Letters to a Young Poet, I found out reciprocal love, maybe the most reciprocal love of all kinds: the love between the reader and the book.

The love reciprocity consists of the lover’s lack of belonging. During the reading there is always a moment when the story finds itself without an owner. Sometimes the story seems to belong to the book, when in reality it belongs to the reader. Other times the story seems to belong to the reader, but instead it belongs to the book. In this “con(fusion) nobody knows who the protagonist, narrator and reader is.

Rilke defines love as the “greeting of two solitudes”. Again, I recall the love between the reader and the book. Isn’t this love the perfect match between two solitudes, between two stories that can’t exist without each other?

In 2011 Buenos Aires, a city that loves books, won the title of The World Book Capital given by UNESCO. According to La Nación, the title is a symbolic recognition that mobilizes a large number of readers, writers, translators and businesses with a common goal: the word celebration.

The activities for celebrating the magic of books in Buenos Aires are varied and on a constant increase. Among these activities there are Feira Del Libro (Books Fair), various public libraries, large and small publishers – that provide a constant production, the Literary Festival of Buenos Aires, the events No hay ciudad sin poesía (There is no city without poetry) and  La semana de la poesía ( The poetry week), these two gather hundreds of people to poetry recitals. There are also the Bookshops Nights and Reading Week in schools.

La Nacion claims that “in an era characterized by technological advances, digital entertainment and Internet communication, it is possible still to value the power of book. This great news allows us to turn off the television, disconnect from Facebook and remain in silence.”

Speaking of silence, I will leave you now with the advert campaign of Buenos Aires World Book Capital for 2011. This creative campaign celebrates books, Buenos Aires, loneliness and reciprocal love: the love between the reader and the book.