Livros/ Books/ Textos/ Texts

Cadê o meu cavalo?

Escrever é certamente auto-conhecimento. Eu, ao menos, tenho a impressão que encontro tantas coisas que até o ato da escrita não sabia que existiam, ou não sabia conscientemente. Parece que me defino melhor quando escrevo, porque quando escrevo corto, recorto, delimito e vou me inserindo num mundo que antes me definia, mas que agora tento definir com algumas de minhas certezas, às vezes, ainda incertas, é bem verdade.

No livro “Conversas sobre o tempo”, Luiz Fernando Veríssimo define a escrita retomando uma história simples e dolorosa:

“Eu gosto muito daquela história. Alguém encontrou um escultor do interior não sei de onde, que fazia esculturas de cavalos perfeitas. O sujeito era simples, sem nenhuma instrução  e fazia aqueles cavalos perfeitos. Aí o cara perguntou: Como é que você consegue fazer esses cavalos com essa perfeição? E ele disse: Eu pego um bloco de pedra e vou tirando tudo o que não é cavalo. Eu acho que o aprendizado da gente é esse, a gente vai tirando tudo que não é cavalo. Um texto bom é de dentro da pedra que a gente vai tirando.”

Concordo. E continuo a procura do meu cavalo que está aqui, mas, tantas vezes se perde de mim.

Where is my horse?

The act of writing provides one self-knowledge. I have the impression I can find so many things that before writing I didn’t know existed, at least consciously.  It seems that I can define myself better when I write. Probably because when I write I cut out, delimit and little by little I enter a world that before used to define me. However, in the act of writing I try to define this world with my own certainties. Certainties that often are quite uncertain.

In the book “ Conversas sobre o tempo” (Conversations about time), Luiz Fernando Veríssimo defines writing by recalling a simple and painful story:

I really like this story about someone who met a sculpture in a village somewhere. The sculpture used to make perfect horse sculptures. He was a simple guy, he had no education but he could make those amazing horses. So the other guy asked him: How come you can make such perfect horses? The sculpture said: I get a block of stone and I take out everything that is not a horse. I think that throughout life we learn like this by taking out everything that is not a horse. A good text is from inside the stone that we get out of.

I totally agree. I am still searching for my perfect horse. I know he is here somewhere, even though he likes to run away.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *