Poesia/ Poetry

The candy box

Photo by Shivji Joshi

Her name was sweet and musical

She had a pet name

Indeed, she told me that in her land her name was a pet name

She came from a far away land, a land of absurdities

Absurd beauties and poverties

Absurd peace and chaos

An absurdly human land

She seemed so young, at least to me with her big dark eyes

To me she was just a little girl

And she had grieves that a little girl wasn’t supposed to have

She brought them in her suitcase

But what I didn’t know back then it was that she also brought a little candy box

Candies made of pepper and sugar just like her land

Every morning she would bake the candies and prepare her candy box

Sometimes in the dawn she would cry her longings away

But as soon as the sun rose she would begin all over again

Baking, preparing and sharing her candies

That girl knew she couldn’t stop doing so

Otherwise bitterness could reach her like a curse

In her land bitterness was a curse that spoiled all the dreams and faiths

The sweet girl so kept her recipes, her grieves, her longings, her tears

She kept her pepper and sugar

She kept her land in mind

She kept her candy box, her girly eyes and her prayers

She bit the bitterness curse over and over again, every day

She kept on dreaming

She insisted on carrying and sharing her candy box

And I am so thankful for that.

My inspiration to write this text came from my friendship with my Indian flatmate. We lived together for one year in Leeds, England, during our master. Fortunately, we didn’t share just a flat; we shared a home, our laughs, sadness, jokes and her candy box. It took me a long time to express my feelings and admiration for her. I guess I have been too impressed by her personality that I couldn’t communicate my thoughts and feelings with words. Sweet words are usually the trickiest to bake.

A caixinha de doces

Ela tinha um nome doce e sonoro

Seu nome me lembrava a doçura de um bichinho de estimação

Um vez, ela me contou que na sua terra aquele nome era de fato um nome de bichinho de estimação

Sua terra era longínqua, era uma terra feita de absurdos

Pobrezas e belezas absurdas

Paz e caos absurdos

Uma terra absurdamente humana

Ela parecia muito jovem com aqueles enormes olhos negros

Para mim ela era apenas uma garotinha

E uma garotinha como ela não deveria carregar tantos pesares

Mas ela os trouxe em sua mala

O  que eu não sabia, era que ela também trazia sua caixinha de doces

Doces feitos da pimenta e açúcar, assim como a sua terra

Todas as manhãs ela cozia seus doces e preparava sua caixinha

De madrugada, muitas vezes, ela chorava baixinho seus pesares e suas saudades

Mas assim que o sol nascia ela começava tudo de novo

Ela cozia, preparava e compartilhava seus doces

Aquela garotinha sabia que não podia parar

Do contrário, a amargura poderia alcançá-la como uma maldição

Na sua terra, a amargura era uma maldição que ruía os sonhos e a fé

Por isso, aquela garotinha conservava suas receitas, seus pesares, saudades e lágrimas

Ela conservava sua pimenta e seu açúcar

Ela conservava as memórias de sua terra

Ela conservava sua caixinha de doces, seus olhos negros e suas orações

Todo dia, incansavelmente, ela derrotava a amargura

Ela continuava sonhando

Insistindo em carregar e compartilhar sua caixinha de doces

E eu sou muito grata por tudo isso.

De 2011 a 2012, tive a sorte de compartilhar um flat com quatro meninas incríveis enquanto fazíamos o nosso mestrado em Leeds, na Inglaterra. Minha inspiração para esse poema vem da amizade com minha amiga Indiana, com quem eu não apenas dividi um flat, mas uma lar, várias risadas, algumas tristezas, muitas piadas e a sua caixinha de doces. Eu demorei muito tempo para conseguir expressar minha admiração por ela. Sua personalidade me impressionou tanto que comunicar meus pensamentos e sentimentos com palavras se tornou difícil. Acho que as palavras doces são mesmo as mais difíceis de serem encontradas, preparadas e compartilhadas, não acha?

One thought on “The candy box

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