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Confeitaria Colombo e Meus Personagens

confeitaria colombo

Caminhava apressada pelo apressado centro do Rio de Janeiro, e de repente sou invadida pela imponente Confeitaria Colombo. Invadida sim, sua atmosfera convidativa tomou conta de mim, já não era eu quem entrava nos seus salões, eles agora faziam parte da minha memória não vivida, porém saudosa. Cercada por art nouveau, salões espalhados, bancadas de mármore italiano, móveis sofisticados, eu já me imaginava de vestido rodado, chapéu de plumas, sombrinha, sotaque francês, amor platônico no coração, tudo para combinar com o figurino daquela belle èpoque. Uns goles a mais de café e uma vontade de ter paciência necessária para discutir política, para ser do contra, sei lá, dar uma de intelectual em acaloradas discussões rumo alguma revolução.

Fundada em 1894, a Confeitaria Colombo trouxe consigo a máxima: “ O cliente tem sempre razão”, criada por um dos seus fundadores portugueses Manoel José Borges. Manoel sabia mesmo das coisas, não é a toa que clientes cheios de si, cheios de razão, frequentavam a Colombo. Eram literatos, poetas, artistas, políticos e até mesmo reis e rainhas. Entre eles o rei Alberto da Bélgica, 1920, a rainha Elizabeth da Inglaterra, 1968, Olavo Bilac, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek. E é claro, tantos outros cidadãos comuns frequentadores em busca de alguma inspiração após um longo dia de trabalho.  A inspiração é por minha conta, café e confeitarias ou as duas coisas juntas são sempre inspiradoras, portanto, assumo que seus frequentadores deveriam estar em busca de algum tipo de inspiração. Eu sempre estou.

A vida toda poderia passar por ali, enquanto eu bebia café com amigos de tão longe. E eu com certeza estaria pronta para vê-la diante de mim, mesclando-a com tantos personagens, agora um pouco meus, pensando nos seus modismos, nas suas ideologias, palavras, poesia e arte. E em meio a todas essas vidas apressadas, a tantos encontros e desencontros, a Colombo ainda trazia para o cotidiano novidades tecnológicas: elevador, energia por geração e fogão a gás.

Bom, por fim pensaria na conta a pagar, trocaria meu vestido rodado pelo meu jeans e ALL Star, e a bella époque pela vida real, não menos inspiradora.

Colombo Candy Shop and My Characters

I was scurrying along the rushed Rio de Janeiro downtown, and suddenly, the imposing Colombo Candy Shop invaded me. Its welcoming atmosphere just embraced me. It was not me who entered into Colombo’s rooms; they seemed to become a part of my unlived but very nostalgic memory. Surrounded by art nouveau halls, scattered stands of Italian marble, sophisticated furniture, I imagined myself in a fancy dress, plumed hat, umbrella, French accent, platonic love in my heart, all to combine with those belle époque’s costumes. More sips of coffee and I desired to have patience to discuss politics, to go against the system, you know, play an intellect in big discussions towards any revolution.

Founded in 1894 Colombo Candy Shop brought about the belief: “The customer is always right”, created by one of its Portuguese founders Manoel José Borges. Manoel was a wise man, no wonder that customers full of themselves, full of reason, used to go to Colombo. They were writers, poets, artists, politicians and even kings and queens. Among them, King Albert of Belgium, 1920, Queen Elizabeth of England, 1968, Olavo Bilac, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek and of course, many other ordinary citizens searching for some inspiration after a long day of work. This thought about inspiration is just me wondering about peoples´ desires and thoughts. Anyway, coffee places and candy shops or both together are always inspiring to me, so I assume that their clients should be looking for some kind of inspiration. I always am.

Life could pass by my eyes while I was drinking coffee with friends from faraway places. I´m sure I would be ready to see life in front of me, and mix it with so many characters (including the ones I created), thinking about their fashion, their ideologies, words, perspectives, poetry and art. Surrounded by these hurried lives and the many meetings and goodbyes, Colombo also brought brand new technologies: lift, power generation and gas stove to the daily routine.

At some point, I would finally think of paying the bill, so I would change my  fancy dress for my jeans and All Star, and bella epoque for real life, no less inspiring though.


One thought on “Confeitaria Colombo e Meus Personagens

  1. Enquanto lia tão brilhante texto, me sentia envolvido por todo o charme e história desse ícone arquitetônico e cultural carioca, que em pleno século XXI, ainda guarda toda a exuberância da época de sua fundação, há mais de 100 anos.
    Então, indo ao Rio de Janeiro não deixem de adentrar aos seus salões, apreciar um bom café e alguns deliciosos biscoitos.

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