Lugares & Memórias/ Places & Memories

Eu não sabia que era Portugal – Aline Soares

port

No sonho, eu estava em um trem que corria numa ferrovia por entre paredes de granito. O sol chegava até mim com uma luminosidade levemente dourada, e se contrastava com o tom verde escuro da vegetação. Esse sonho eu tive já há muitos anos, e não tinha nada de especial, nada de premonitório. Era apenas como um fragmento de viagem, mas que vez ou outra me forçava a lembrar, simplesmente para não deixar cair no esquecimento e também porque tinha a impressão de que eu passaria por esse caminho algum dia, e então queria reconhecê-lo quando o visse.

Eu não sabia que era Portugal. Para falar a verdade, e já que falo em sonhos, nunca sonhei em morar em Portugal, mas vim parar aqui. E hoje, indo à cidade do Porto, de trem, reconheci as paredes de granito, rocha muito comum na região norte do país, e também a luminosidade do sol frio, que refletia suave e dourada sobre as vinhas. As imagens que estavam guardadas na minha cabeça se fundiram com as que se tornavam ação diante dos meus olhos. Dei-me conta de que estava na pista do caminho que sonhei.

Eu não sabia o que era Portugal. Agora sinto o país entrar em mim pelos olhos, pela boca, pelos ouvidos, pelo nariz. Sinto-o com a minha pele que, não raro, sente-se arrepiar. Agora entendo em absoluto a nostalgia que as lembranças do caminho sem rumo me traziam. Continuo sem saber a que destino esse caminho leva, mas estou muito curiosa. E sem medo algum de descobrir.

Aline Soares –  a amiga mais sábia que eu tenho, uma sonhadora com habilidade de resgatar a realidade de seus sonhos.

I didn’t know that it was Portugal

By Aline Soares

In the dream I was on a train that ran on a railroad between walls of granite. The sun reached me with a soft golden light, and that tone contrasted with the dark green vegetation. I have had this dream many years ago, it was nothing special, nothing prescient. It was just like a travel fragment that occasionally came to my mind to make sure I wouldn’t forget it. Somehow I had the impression that I would cross that route someday, so that I wouldn’t want to forget it. I wanted to recognize it when the time comes.

I did not know that was Portugal. To tell you the truth, I have  never dreamt of living in Portugal, but I ended up here. And today, going to the city of Porto by train, I recognized the walls of granite rocks, very common in the northern region of the country, and also the brightness of the cold sun, reflecting softly and golden in the vineyards. The images that were in my head fused with the images that my eyes were looking at. I realized that I was on the way with which I had dreamed.

I didn’t know that was Portugal. Now I feel the country entering through my eyes, mouth, ears and nose. I feel it with my skin I often have shivers. Now I completely understand the nostalgia that the memories of the aimless way brought  me. I don’t know the fate that this path will lead me, but I’m very curious and with no fear to find  out.

Aline Soares – the wisest friend that I have, a dreamer with the ability to rescue the reality from her dreams.

 

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