Livros/ Books

Literatura infantil. Infantil?

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Depois que meu primeiro sobrinho e afilhado Caio, nasceu comecei a comprar livros infantis. Caio tem apenas oito meses e muitos livros pra degustar. Esta minha volta ao universo da literatura infantil tem sido um tanto reveladora e prazerosa. Acho que os adultos precisam de tempos em tempos ler livros infantis. Aliás, hoje me questiono até que ponto eles são mesmo infantis?  Seria infantil resgatar uma enxurrada de perguntas sem ficar vermelho, sem timidez? Seria infantil deixar a imaginação fantasiar sem aquele compromisso com o útil, com o real? A leitura de livros infantis desnuda o homem e o que de mais humano há nele.

Pablo Neruda, poeta chileno, me fisgou pelo título de seu livro “O Livro das Perguntas.” Além das instigantes perguntas de Neruda, o  livro traz ilustrações poéticas de Isidro Ferrer que guiam o olhar por direções que se chocam e se completam, se fundem e se separam, sendo tudo mesmo óbvias.

O livro resgata a interrogação desenfreada e me faz pensar que as crianças, seres interrogativos por natureza, parecem não ter tanto interesse nas respostas. Talvez porque as respostas limitem suas descobertas. Ou porque as definições precisas estrangulem sua imaginação. Nós adultos precisamos perguntar mais, criar mais hipóteses e errar mais. O erro foge do óbvio, como diria uma acadêmica que conheci: “Prefiro o errado ao óbvio.”

Aqui algumas das perguntas de Pablo que mais gosto:

“Há alguma coisa mais triste no mundo do que um trem imóvel na chuva?

Por que se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?

As lágrimas que não choramos esperam em pequenos lagos? Ou serão os rios invisíveis que correm para tristeza?

Como ganhou sua liberdade a bicicleta abandonada?

É ruim viver sem inferno: não podemos reconstruí-lo?

Posso perguntar ao meu livro se é verdade que eu o escrevi?”

Children’s literature? Is it really for children?

After my first nephew, Caio, was born I have began to buy kids books. Caio is only eight months old but he already has so many books to experience. I must confess that my return to the children’s literature world has been quite revealing and pleasant. I believe that adults should read kids books from time to time. Actually, nowadays I ask myself, are these books only for kids? Would it be childish to ask so many questions without been afraid, without turning  red or being shy? Would it be childish to let our imagination fantasize without any commitment with the so called useful or real? To me children’s books help to reveal our most human features and feelings.

Pablo Neruda, the Chilean poet, has called my attention with his book titled “ The Book of Questions.”  Apart from Pablo’s provocative questions, the book also brings poet illustrations by Isidro Ferrer. Isidro’s illustrations guide us to look at the directions that complement each other but also collide,that melt each other but also draw a part sometimes. His illustrations as Pablo’s questions can be everything but obvious.

The book rescues an uncontrolled questioning and makes me think that children, interrogative beings by nature, don’t really care about answers. Maybe the answers limit their discoveries and suffocate their imagination. We, adults, should ask more, create more hypothesis and make more mistakes. In a way, to make a mistake is to deny the obvious, as a professor has claimed sometime ago: “I prefer the wrong to the obvious.”

Here below are some of Pablo’s questions that I really like:

Is there anything sadder than a motionless train in the rain?

Why do leaves commit suicide when they feel yellow?

Do the tears we haven’t cried wait for us in small lakes? Or are the invisible rivers the ones that run towards sadness?

How did the abandoned bicycle win it´s freedom?

It is bad to live without hell: can we rebuild it?

Can I ask my own book if it is true what I wrote?

6 thoughts on “Literatura infantil. Infantil?

  1. Ana Luiza, lindo o inusitado caminho que vc escolheu pra se comunicar…de repente ficamos próximas, embora nossas idades sejam distantes e tbém por que só a ví umas três vezes na última década…
    Existe muito mais que um olho mágico à frente:portas escancaradas pra vc que tem a senha…Yêda Marquez

    • Olá, Yêda.

      Muito obrigada pelo carinho. Fico feliz que você tenha gostado do meu jeito de comunicar. E te convido para contribuir com o blog quando quiser! As portas estão abertas…hehehe. Abraço grande, Ana Luiza.

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