Creatividade & Design/ Creativity & Design

Livrarias, seus dinossauros e outros bichos

Em 1955 Jorge Luiz Borges, famoso escritor argentino e então professor de literatura Inglesa, é nomeado diretor da Biblioteca Nacional Argentina. Diante de tal honra, ele confessa: “Sempre imaginei o paraíso como uma biblioteca. Outros pensam nele como um jardim ou, talvez, um palácio.” A definição de Jorge não poderia ser melhor, ambos biblioteca e paraíso me parecem mesmo um tanto misteriosos e inspiradores.

Clarice Lispector conta que nos seus tempos de escola, uma de suas coleguinhas tinha toda a coleção dos livros de Monteiro Lobato. Mas para tristeza de Clarice, essa coleguinha se recusava  emprestar os livros. Um dia, a colega estranhamente disse a Clarice que ela podia ir a sua casa buscá-los. Clarice ia todos os dias em busca dos livros. A cada dia a colega, muito maliciosa, inventava uma desculpa para não emprestá-los e pedia para Clarice voltar no dia seguinte. Um belo dia a mãe da menina descobriu o que a filha vinha fazendo e disse a Clarice: “Tome, os livros são seus, fique com eles o tempo que quiser.”

A escritora conta que lia os livros bem devagarinho, ás vezes fazia de conta que os esquecia. Eles foram seu primeiro amor. Ler os livros de Monteiro Lobato era como uma grande brincadeira e Clarice se recorda: “Preferia ficar dentro do livro do que brincar lá fora.”

O fascínio dos livros e das bibliotecas, do paraíso e de suas brincadeiras, descrito por Jorge Luiz e Clarisse, também estão presentes na criação do grupo de designer japonês, Koichiro Koshino. Para esses criativos, uma biblioteca pode até mesmo ser um dinossauro, mais especificamente chamado Casaurus. Apesar de eu não conseguir visualizar muito bem o tal dinossauro janponês, achei a ideia incrível. O importante é que enxergando ou não, podemos sem dúvida encontrar de tudo em uma biblioteca desde dinossauros, princesas, borboletas, monstros e frequentemente nós mesmos.

Confira as fotos de Casaurus abaixo.

Libraries, its dinosaurs and other creatures

In 1955 Jorge Luiz Borges, the famous Argentinian writer and Literature Professor, was nominated director of the Argentinian National Library. Honored by this nomination, he confessed: “I have always imagined paradise as a library. Others think of it as a garden or perhaps a palace. ”  Jorge Luiz Borges’ definition couldn’t be more precise. Both library and paradise seem to me quit mysterious and inspiring.

Clarice Lispector, a famous Brazilian writer, once told that her school classmate had the whole collection of Monteiro Lobato´s books, which she refused to lend to Clarisse. One day however the girl strangely told Clarisse to come to her house to get some books. Clarice was so happy. She went every single day to the girl’s house to borrow her books. Everyday however the girl would tell Clarisse to come back the next day with an excuse that the books weren’t there. One day the colleague´s mother found out about the bad daughter´s behavior and told Clarice: Here, the books are all yours, keep them as long as you want.

The writer said that she used to read the books very slowly and sometimes she would pretend to forget them somewhere, so that they could last more. Books were her first love. For her, reading Monteiro Lobato’s stories was a great joy, as she stated: I would rather play inside the books than outside the house.

The amusement caused by libraries and books, by paradise and its plays, described by Jorge Luiz and Clarisse, seems to take place in the creation of a Japanese designer group, Koichiro Koshino. A library for him can be even a dinosaur, more specifically one called Casaurus. Although I can’t see a dinosaur, I found the idea amazing. The important thing though, whether one is able to see it or not, is that a library will always offer us numerous possibilities of sights. From dinosaur to princess, from butterflies to monsters, who knows?  I guess we often end up found ourselves.

Check out Casaurus’ pictures:


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