quote

“Levou-me ao cinema sobretudo o empenho em narrar histórias de homens vivos: de homens vivos entre as coisas, não as coisas em si.

O cinema que me interessa é um cinema antropomórfico. […]

A experiência me ensinou sobretudo que o peso do ser humano, a sua presença, é a única é a “coisa” que verdadeiramente preenche  o fotograma; que o ambiente é criado pela sua presença viva e que, a partir das paixões que o agitam, isto adquire verdade e relevo, ao passo que até mesmo a sua momentânea ausência do retângulo luminoso reconduzirá cada coisa a um aspecto  de natureza não animada.

O mais humilde gesto do homem, o seu andar, as suas hesitações e seus impulsos sozinhos geram poesia e vibrações nas coisas que circundam e nas quais se enquadram. Toda solução diferente do problema me parecerá sempre um atentado a realidade como ela  se desenrola diante dos nossos olhos: feita pelos homens e por eles modificada continuamente.”

Revista Cinema 1943, O cinema antropomórfico, Luchino Visconti – diretor italiano

O cinema antropomórfico

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *